Ao longo do mês de novembro, a UFCSPA promoveu o webinário "Por uma universidade antirracista". Foram realizadas quatro mesas temáticas, uma por semana, durante o mês da consciência negra. No último dia do evento, na terça, 23, a discussão abordou “Estratégias políticas e pedagógicas no movimento de negras e negros”. Todas as apresentações estão disponíveis no YouTube UFCSPA e, também, foram criados drops do webinário que podem ser acessados no YouTube do Núcleo Cultural.

Participou do último encontro o advogado e integrante do Movimento Negro Unificado do Rio Grande do Sul (MNU), Gleidson Dias, com a mediação da acadêmica de Psicologia na UFCSPA, Marina Dadico. 

Gleidson, inicialmente, falou sobre o significado do chamado Novembro Negro, que reúne diferentes datas importantes, sendo a principal o dia 20 de novembro. Há 50 anos, a data foi idealizada por Oliveira Silveira e o Grupo Palmares, em Porto Alegre. “O 20 de novembro é a ruptura da falácia oficial de uma princesa Isabel redentora que dá liberdade e iguala as pessoas negras e brancas. Até então se comemorava o 13 de maio”, afirmou. 

Na sequência, o ativista apresentou a trajetória do Movimento Negro no Brasil, dividida em quatro fases. Na primeira, entre 1500 e 1888, o Brasil vivia um racismo escravagista oficial, imposto a negros e indígenas.

A segunda, entre 1888 e 1978, representa o final da escravização até a criação do Movimento Negro Unificado (MNU). O período foi marcado pela criação de políticas públicas racistas eugenistas, de embranquecimento, pelo processo de imigração de pessoas brancas. “O que acontece de espetacular com o fim da escravização é a possibilidade de ser chamado de ser humano. Até então, os negros eram semoventes, animais que andam por si sós”, destacou.

Citou, também dois fatos como relevantes: a criação da Frente Negra Brasileira, em 1930, movimento pioneiro e de adesão popular, apesar de ser monarquista e negar a ancestralidade africana e, em 1940, o Teatro Experimental Negro, criado por Abdias Nascimento, com enfoque no empoderamento e na valorização da identidade afro-brasileira.

Na terceira fase, o grande marco histórico é a criação do Movimento Negro Unificado (MNU), que nasce com a perspectiva de disputar espaços não só culturais, mas também de poder, pensando a política como ferramenta de transformação do mundo. “O MNU faz uma marcha em plena ditadura militar e grita que o Brasil é racista”, lembrou.

A quarta fase inicia em 2000 e vem até os tempos atuais, tendo como grande mudança a criação das cotas raciais, que começam a ser discutidas com a Constituição de 1988. Destacou, ainda, a promulgação da lei que torna obrigatória a inclusão da história africana na educação e, fundamentalmente, a criação de uma secretaria nacional, com status de ministério, com o objetivo de promover a igualdade racial.

Sobre o momento atual, o advogado Gleidson Dias afirmou que a geração mais jovem é empoderada e que a disputa mudou. Se em 1988 a luta era para não ser escravizado, hoje, as novas gerações querem ser reitores ou presidentas.